
É tradição chamar-se Natal ao dia 25 de dezembro porque nesse dia nasceu Jesus Cristo. Para uns é o Filho de Deus, para outros é apenas um homem, mas de qualquer maneira um homem bom. Quando nós nascemos também foi Natal e foram os nossos pais que o fizeram.
Nestes momentos difíceis que a nossa sociedade atravessa, que é difícil acreditar no Natal, nestes tempos caraterizados por uma crise não apenas económica e financeira mas também política, cultural e social, dir-se-ia mesmo civilizacional; nestes momentos, em que nos dá vontade de desistir, há que buscar inspiração no exemplo mais profundo de Jesus, enquanto modelo de solidariedade e de dádiva desinteressada ao outro.
Nestes momentos, em que o Natal parece ganhar contornos tristes, há que fazer balanços e perspetivar futuros, nunca desistindo. O nosso caminho é o das lógicas de intervenção, quer promovendo iniciativas próprias quer estando atentos para interagir com o que acontece, procurando participar, apoiar e divulgar iniciativas de outros, integrar contributos, organizar
em rede, etc. É este espírito de antes quebrar que torcer que tem cimentado a presença da nossa Associação junto da comunidade local, levando a cabo uma série de iniciativas que pretendem proporcionar momentos de dádiva e de inspiração para o futuro.
Temos em funcionamento uma classe de ginástica feminina, estamos em vésperas de lançar o “Cancioneiro de Sobreposta”, que pretende reviver e recriar cantigas e ladainhas de antigamente, apresentámos recentemente uma peça de teatro em Pedralva, que pretendeu ser o lançamento da primeira pedra do nosso próprio grupo de teatro, estamos a dar os primeiros passos para a criação de um Grupo de Música popular, para além de nos mantermos
parte ativa no projeto de ensino articulado com a Companhia da Música e a Escola EB 2,3 de Gualtar, a cujo Conselho Geral pertencemos. Temos vindo a organizar, mensalmente, nas freguesias de Sobreposta, Pedralva e Espinho um curso de Formação Parental, orientado por técnicos especializados, estamos empenhados na recuperação do Moinho da Figueira e estabelecemos recentemente uma parceria com as Juntas de Freguesia da nossa área para
a futura criação de um Centro de Bem Estar Social, que acolha os mais velhos. Com a nossa humildade e modéstia, tentamos trazer fogachos de esperança e felicidade às pessoas desta região, ultrapassando iras, invejas ou rivalidades, num espírito afetuoso, para que o coração de cada um seja acolhedor como a manjedoura de Belém.
Para finalizar, e porque é tempo de olhar para a frente, permitam-nos buscar inspiração para a nossa ação no frade dominicano brasileiro Frei Betto, quando afirma que “fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar o posto, onde brilhou a esperança”.